PRAÇA DAS FEIRAS

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Espaço amplo aberto à comunidade.

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A Praça das Feiras, denominada Praça Linear para Feiras e Eventos, está localizada no espaço da antiga linha férrea de Caxias do Sul, entre a Avenida Rio Branco e a Rua Feijó Junior, no Bairro São Pelegrino. Foi inaugurada em julho de 2016 e possui uma área de 7,6 mil metros quadrados.

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Praça das Feiras durante as obras de revitalização. Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Esta praça faz parte do eixo de recuperação urbanística da linha férrea, junto com a Praça do Trem e o largo da antiga Estação Férrea, idealizados a partir da parceria público-privada. O projeto das praças busca uma singularidade arquitetônica, presente nas luminárias, ciclovias, pavimentações, e algum mobiliário urbano.

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Novo mobiliário urbano.

Integrados ao conjunto da praça, que funcionam como pano de fundo do espaço, encontramos o prédio da antiga  Sociedade Vinícola Rio Grandense, fundada em meados de 1929, e também o prédio onde funcionava a antiga Vinícola Caxiense, fundada em 1930. A revitalização deste espaço foi uma conquista do bairro e de toda a cidade, pois um local abandonado e perigoso se tornou um local seguro para os cidadãos.

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A execução ficou a cargo da empresa API Empreendimentos Imobiliários, como contrapartida à construção de um condomínio no antigo centro de treinamento do Esporte Clube Juventude, na Rua Atílio Andreazza. Na prática, o R$ 1,3 milhão não saiu dos cofres da prefeitura, mas sim do patrimônio.

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A CASA DO PATRONATO AGRÍCOLA

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Edificação de 1928, projeto do arquiteto italiano Luigi Gastaldi Valiera, radicado em Porto Alegre, que projetou outras obras significativas em Caxias para a época, como por exemplo a Residência Sassi e a Residência Cesa Valduga, ambas também tombada pelo Patrimônio Histórico do Município.

Casarão de três pavimentos, mais o torreão, em estilo eclético, com evidencias do neocolonial, caracterizado por 4 alas bem distintas, volumetria dinâmica, 4 fachadas livres e bem definidas. Suas principais características tipológicas são a busca pela grandiosidade, a simetria e o dinamismo volumétrico. O interior apresenta um sistema construtivo peculiar, no qual se mesclam escadas e entrepisos em concreto e madeira.

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Os primeiros patronatos agrícolas brasileiros foram implantados após a proclamação da República. O objetivo desses locais era ensinar crianças abandonadas/órfãs a trabalhar com horticultura, jardinagem, pecuária, e agricultura em geral. Era uma alternativa diferente dos orfanatos e instituições prisionais que existiam na época.

 

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A construção do prédio em meados de 1927. Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

O Patronato Agrícola de Caxias do Sul foi inaugurado em julho de 1928, pelo então governador do Estado, Getúlio Vargas. Até hoje ainda está na parede a placa de mármore comemorativa à essa data.

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A escada antes do restauro, detalhes mantidos de sua arquitetura original. Foto: Daniela Xu, Banco de dados/Pioneiro

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A escada atualmente, com a placa da inauguração do prédio. 

A edificação atualmente fica em uma área urbanizada, mas na época era uma área rural, conhecida como chácara municipal. Lá, os meninos recebiam abrigo e aprendiam atividades ligadas à agricultura, pecuária e marcenaria.

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Foto no dia da inauguração, em setembro de 28. Nota-se na foto que a balautrada das sacadas da direita ainda não estavam concluídas. Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami 

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O casarão na década de 1930. Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami

No dia 1º de agosto do mesmo ano iniciam as aulas no patronato com 12 alunos inscritos. Nos anos seguintes à inauguração, diversos questionamentos foram levantados contra esse modelo de ensino voltado para o trabalho e já na década de 1930 o patronato é fechado. O patronato foi desocupado após a crise do café porque ficou sem recurso, e perdeu a função.

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Grupo de internos no início dos anos 30. Foto: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami

No ano de 1937, o então prefeito Dante Marcucci e o Bispo Dom José Barea acertam o repasse do patronato à Ordem dos Irmãos Josefinos, vinculados ao Instituto La Salle. Até 1952, funcionou lá a Escola de Artes e Ofícios. Nesse mesmo ano o prédio é ocupado como alojamento e Escola Normal para meninas, sob administração das Irmãs do Sacré-Coeur de Marie. Na ocasião o local foi ampliado para abrigar refeitório e o alojamento das Irmãs.

Em 1961, as Irmãs deixam o prédio que passa a ser ocupado como alojamento dos funcionários do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) – que na época estavam construindo a ponte sobre o Rio das Antas. No ano seguinte, a creche Comai  utiliza o prédio e empresta duas salas para o então Instituto Mario Toffa, que mais tarde se tornaria APAE. Em 1963, o prédio é utilizado totalmente pela entidade.

Em 1966, na gestão do prefeito Victorio Trez, as terras ao redor do antigo patronato são doadas à APAE, com o objetivo de construir a Escola para Excepcionais e o Instituto de Fisioterapia Profunda.

Depois disso, até 1992 o prédio ficou abandonado. Em 1993, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos, Agrônomos, Químicos e Geólogos de Caxias do Sul – SEAAQ, ocupou parte do prédio e recuperou a ala norte. Essa recuperação teve mais um caráter de reforma do que de restauro, porque não foram respeitadas as características originais da edificação. Apesar do intuito de ocupar parcialmente a edificação, isso acabou não se consumando devido a problemas de infraestrutura e segurança do local.

O prédio voltou a ficar desocupado de 93 a 2009, quando a Royal arquitetura foi contratada para o projeto de intervenção e restauro. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) proprietária atual do terreno e do imóvel, recebeu da prefeitura de Caxias do Sul, após o tombamento do prédio em 2003,  índices construtivos que foram vendidos, gerando verba para iniciar a obra de restauro.

O prédio do Patronato Agrícola possui 630 metros quadrados e quatro pavimentos, com sacadas abertas, torre e mirante. Nos fundos, foram acrescidos outros 300 metros quadrados, em uma estrutura de aço, vidro e policarbonato. A nova ala inclui banheiros, cozinha e elevador, privilegiando a acessibilidade. A reforma teve inicio em 2009 e foi concluída em 2013.

O diagnóstico quando se iniciaram as etapas de levantamento foi a de qualquer outra edificação sem uso: degradação e abandono. A ala sul encontrava-se desabada, sem o piso, cobertura, nem esquadrias, com a vegetação crescendo em seu interior. Foi possível retomar a cobertura original pelo levantamento dos encaixes que permaneciam no local.

A primeira intervenção no projeto de restauro foi a remoção de partes soltas do substrato no reboco, incluindo remendos de argamassa com base em cimento, que foram sendo acrescentadas com o tempo, mas que o próprio edifício acabou rejeitando. Foram feitos ensaios em laboratório para diagnosticar o tipo de revestimento que havia sido utilizado na época da construção para poder reproduzi-lo. E foi identificada uma argamassa com base de cal.

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Restauração inicial do reboco e telhado.

Foi feito o mapeamento de lesões no prédio, no ponto de vista estrutural o prédio não apresentava patologias que comprometessem a estrutura. Através de um levantamento de prumos, se identificou que não havia recalque nas fundações.

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O acesso principal em 2006, antes do início do trabalho de restauro. Foto: Roni Rigon, banco de dados/Pioneiro 

Ao longo do tempo, houveram intervenções nas esquadrias, uma sacada foi fechada para aproveitamento do espaço. Na época da ocupação da Seaaq, todas as esquadrias originais foram substituídos por vidro temperado fumê para vedação , o que descaracterizou por completo a ala norte. Essas esquadrias foram revertidas no projeto de intervenção.

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Janelões e parte das aberturas originais foram recuperadas. Foto: Daniela Xu, banco de dados, Pioneiro

Quando as esquadrias originais foram retiradas, as vergas apresentaram patologias e tiveram que ser restauradas. Na fachada norte, uma porta acrescentada ao longo do tempo foi fechada por não apresentar mais nenhuma função e para recuperar o ritmo anterior das janelas.

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Vista privilegiada dessa edificação, que antigamente se localizava na zona rural da cidade. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro 

Algumas intervenções históricas foram revertida, especialmente na fachada para retomar os cheios e vazios da fachada original, retomando o ritmo das fachadas conforme registros iniciais. Foi uma tomada de decisão de projeto. Muitos questionam essa teoria, defendida na Carta de Veneza, onde as intervenções que aconteceram no edifício ao longo do tempo fazem parte da sua historia e devem permanecer.

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O prédio do Patronato em agosto de 2013, ainda em obras. Foto: Daniela Xu, banco de dados/Pioneiro

Uma volumetria existente que abrigava os sanitários foi removida. Possuía toda a tubulação aparente, ritmo de aberturas e telhados diferente das demais edificações, porem possuía as mesmas características construtivas e mesma idade de construção. O clube de mães, que acontecia em um anexo ao lado da edificação, também foi retirado. Nesse local, a cota do terreno era mais alta, e foi feita uma escavação para dar local a um novo anexo. Com isso, foi necessário fazer o reforço da fundação, que acabou ficando aparente após a escavação.

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Anexo ao lado que foi demolido.

Na fachada sul, foi realizada a retomada dos telhados e a abertura da sacada, em algum momento fechada, para voltar ao projeto original.

Na intervenção, uma estratégia de projeto foi a distancia de materiais nos novos anexos do sec. XXI, deixando o prédio histórico como protagonista. A tecnologia utilizada foi o Steel frame, que em 2011 era um material praticamente novo, e que gerou resistência por parte do cliente (APAE). Além disso, se propôs um dialogo entre o novo e o antigo, seguindo alinhamentos, respeitando encontros entre as edificações e propondo anexos “silenciosos”, ou seja, sem janelas, apenas com ventilação mecânica e iluminação zenital, para não competir com o ritmo das esquadrias existentes.

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A união do edifício novo em steel frame e vidro com o antigo. 

A intervenção começou pelo telhado para sanar os problemas mais urgentes e garantir a estanqueidade do prédio. Foi possível recuperar boa parte do telhado, ao contrario do que se imaginava no inicio do projeto.

O interior restaurado

O interior restaurado. Foto: banco de dados/Pioneiro 

Por ser um prédio dividido em 4 alas bem distintas, foi necessário inserir um volume central que faz a função de elemento integrador, localizado na ala da torre. Além desse volume, um anexo de sanitários e circulações com 3 pavimentos e um anexo de 1 pavimento para a área de suportes foram acrescentados à implantação. Os responsáveis pelo projeto tiveram a preocupação de não colocar as áreas de serviço dento do edifício histórico e sim nos anexos, como maneira de valorizá-lo.

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O elemento central inserido no conjunto,  que integra as circulações verticais e horizontais.

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Os novos anexos inseridos com materiais totalmente contemporâneos.

A cor escolhida foi o ocre, de maneira homogênea em toda a fachada, sem destaque para frisos, molduras ou demais ornamentos. A escolha da cor pelos arquitetos responsáveis foi justificada para colocar o prédio em evidencia, e anunciá-lo para a cidade. Na época da construção do prédio, foi utilizada argamassa com corante em tom claro.

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Na implantação, foi realizado um trabalho de desobstrução do edifício. Dependendo do ponto de vista, não se enxergam os anexos, e sim somente o prédio histórico em sua plenitude. Foi verificada também uma área que estava com erro no registro de imóveis que foi retificada durante os projetos de intervenção, o que acabou agregando índices e angariando recursos para a conclusão das obras.

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Internamente, o prédio era todo compartimentado, porem como o projeto foi desenvolvido sem saber o uso especifico que a edificação teria, as paredes internas foram retiradas, deixando espaços livres, para flexibilizar o uso. O projeto ainda prevê um acesso independente pela Rua Doutor Antônio Casagrande com rampas de acessibilidade, parte que não foi executada, mas está previsto para uma intervenção futura.

Atualmente, o prédio está alugado para a Emercor. A renda da locação é destinada para a APAE, que contribui para manter a entidade e para a manutenção do edifício. A Emercor fez uma intervenção na fachada sul, com o fechamento em vidro temperado, mas que foi aprovada por ser reversível.

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Tombado pelo patrimônio histórico em 2003.

Projeto original: Arq. Luigi Gastaldi Valiera

Projeto de intervenção: Arq. Carlos Eduardo Mesquita Pedone

Arq. Jaqueline Viel Caberlon Pedone

arq. Helton Estivalet Bello

arq. Luiz Merino Xavier

ANTIGA RESIDÊNCIA ZANDOMENEGHI

História

Casarão construído em 1938, pertencia a um dos fundadores da antiga Cooperativa Vinícola São Victor, empresa que marcou o bairro São Pelegrino a partir de 1929, e o qual foi diretor comercial durante 36 anos. Agostinho Zandomeneghi (1894-1965) adquiriu o terreno de 900m² no final da Rua Os 18 do Forte, em 1937, com a intenção de ficar mais próximo da sua empresa, uma vez que morava com a família em São Victor da 5ª Légua.

A residência orgulhava os seus proprietários pela qualidade do material utilizado na época e pela modernidade que apresentava, ocupando visão privilegiada no final da rua Os 18 do Forte, com entroncamento com a Rua Feijó Junior.

A área externa, nos fundos, concentrava um parreiral e diversas árvores frutíferas, além de temperos e flores. Paras as crianças, o espaço também era um saudável cenário para brincadeiras.

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A fachada frontal da residência em 1938. Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami

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Os antigos proprietários em frente à residência original, em 1951. Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Na divisão interna, o casarão era composto de três quartos, banheiro, copa, cozinha, sala de jantar e sala de visitas decoradas com pinturas com motivos de folhas. Os dois cômodos principais eram originalmente separados por uma parede em forma de arco. Toda as paredes, tanto interna como externas, eram de alvenaria.

O porão de pedra era depósito para salames, queijos e enormes recipientes de vinho de 200 litros, que todos ajudavam a engarrafar para o próprio consumo.

Concebida originalmente como moradia térrea, a casa recebeu em 1960 um segundo pavimento, obra do construtor italiano João Viel. O 2º pavimento foi destinado à geração de renda por meio de locação, idealizado por Zandomeneghi por ver a necessidade que as pessoas tinham em permanecer na cidade. Era dividido em dois apartamentos, com acesso independente à residência, que se dava por uma escada lateral, localizada na fachada sul. No apartamento ao norte, foi projetado um terraço privativo sobre o volume existente da residência original. A ampliação desse 2º pavimento foi desenvolvida sobre estrutura de concreto independente com vigas apoiadas sobre a alvenaria portante existente do 1º pavimento.

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Corte e fachada do projeto de ampliação de 1960.

 

Com o tempo, a propriedade foi dividida entre os herdeiros e outras edificações ocuparam o grande pátio dos fundos. Duas filhas do Sr. Agostinho Zandomeneghi ocuparam a residência até a compra por terceiros.

Posteriormente, abrigou espaços comerciais, como uma locadora de vídeo, uma loja de presentes e utilidades domésticas, e uma mostra temporária de decoração. Tombado pelo Patrimônio Histórico, o imóvel passou recentemente por uma grande intervenção para abrigar o Cento Empresarial Firenze.

Já os prédios da antiga Cooperativa Vinícola São Victor, na Rua Augusto Pestana, foram readequados para abrigar duas casas noturnas no Largo da Estação.

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A casa no final dos anos 1980, quando abrigou uma “locadora de filmes”. Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

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Casarão abrigou a loja Raffinatta até 2012. Fonte: banco de dados/Pioneiro.

Projeto de restauro e intervenção

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Foto atual, com o restauro da residência e o novo edifício.

Segundo laudo expedido pela Divisão de Patrimônio Histórico de Caxias do Sul, no momento da Análise do Projeto de Restauro e Intervenção,  ” A preservação de cunho permanente desta edificação de 1938, possibilitará a requalificação do bem, marco de referência na paisagem urbana, integrada ao casario ainda remanescente da rua Os 18 do Forte, entre as ruas Coronel Flores e Feijó Jr, configurando um elo entre a Igreja de São Pelegrino e o Setor Especial Sítio Ferroviário, áreas de interesse histórico e paisagístico.”

O projeto de intervenção e restauro da casa existente manteve as características tipológicas e morfológicas da edificação. Foram realizadas alterações em seu interior, para se adequar ao novo uso comercial, como a retirada das divisórias originais que organizavam a residência.

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Foram preservados e recuperados todo o piso em ladrilho hidráulico e o tabuão de Pinheiro da época. Foi retirado o forro de gesso existente, e mantida aparente a laje de concreto executada no momento da ampliação do 2º pavimento, marcada com as tábuas da época.

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Piso da varanda em ladrilho hidráulico original, no acesso principal da antiga residência.

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Piso em ladrilho hidráulico e madeira de pinheiro, materiais originais da residência.

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Laje da ampliação do 2º pavimento ficou aparente, com as tábuas dos anos 60 marcadas no concreto.

Na parte externa, foram preservadas todas as características arquitetônicas originais. Na varanda da fachada frontal, foram mantidos os elementos arquitetônicos significativos, como os pilares duplos com base em pedra, fuste em argamassa salpicada e coroamento com capitel de friso duplo. Na fachada lateral, a escada de acesso secundário à residência, feita de marmorite, foi mantida sob uma “ponte” em vidro que atualmente permite o acesso ao local pelo mesmo nível. Na mesma lateral, foi preservada a “bay window” e seus detalhes em baixo-relevo na fachada, buscando a tonalidade próxima à original da edificação, e o terraço privativo que se encontra sobre esse volume.

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A escada original do acesso secundário permanece sob o vidro.

A planta baixa do 2º pavimento foi parcialmente mantida com divisões de alvenaria originais, adaptadas ao novo uso comercial. A escada de acesso que se encontrava na lateral sul da edificação foi demolida.

Foi necessária a substituição das telhas existentes, que comprometiam a estanqueidade do telhado, mantendo o tipo de telha francesa e o desenho original em várias águas do telhado. O barrotes que estruturam o telhado foram mantidos originais e o forro do 2º pavimento retirado, deixando toda essa estrutura aparente.

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Telhas foram substituídas, mantendo o padrão do projeto original.

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Retirado o forro do 2º pavimento, com a estrutura do telhado original.

Alguns elementos de valor histórico também foram mantidos no local, como a capelinha da familia Zandomeneghi. A antiga residência possuía muro frontal baixo em pedra basalto regular e gradil de ferro. Este muro foi retirado em algum momento da transição de uso residencial para comercial e não foi recolocado nessa nova intervenção, substituído por uma calçada de pedra basalto e um jardim.

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Capelinha da família Zandomeneghi mantida no local.

O novo anexo dessa intervenção foi construído nos fundos da residência, terreno onde funcionava um estacionamento, e deu lugar a um edifício comercial, que utilizou materiais contemporâneos como o vidro e o ferro, elementos acrescentados à arquitetura do conjunto justamente para não competir com os  elementos arquitetônicos originais da residência de 1938, deixando bem demarcado o novo e o antigo.

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Acesso lateral ao anexo. No miolo desse complexo, todos os acessos se comunicam.

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Projeto contemporâneo de iluminação e paisagismo dão destaque ao acesso lateral.

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Vista de uma das salas comerciais, podemos ver como a estrutura do novo anexo avança sobre a edificação existente, formando a conexão de volumes.

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Nova cobertura de vidro marca o novo acesso lateral do anexo, sem agredir o telhado em 4 águas característico da edificação existente.

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A união do prédio novo com o existente acontece por meio de um elemento com iluminação zenital.

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Materiais originais da edificação existente permanecem à vista.

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Comunicação visual aparece na fachada e no interior do complexo.

O nome do Centro Empresarial Firenze foi uma homenagem ao italiano João Viel, construtor responsável pelo projeto de ampliação do 2º pavimento da residência, nascido em Florença, Itália. Essa residência é um dos poucos exemplares remanescentes da trajetória do arquiteto.

A obra de intervenção teve início em 2014 e foi concluída em janeiro de 2017.

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Fachada atual com iluminação que valoriza o conjunto.

Inscrita no Livro Tombo dos Bens Históricos e Culturais de Caxias do Sul, em 28 de novembro de 2013. Localizada na Rua Feijó Junior, 953, Bairro São Pelegrino, Caxias do Sul, RS.

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Um agradecimento especial a Gildonei Cechet, idealizador desse projeto, que dedicou um pouco do seu tempo para nos contar essa história.

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Projeto Estrutural: Eng. Basilio Marchetto

Projeto Luminotécnico: Studio FOS Iluminação

Projeto Paisagístico: Akemi Inamoto

CAPELA SÃO JOÃO BAPTISTA

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Construída no ano de 1890 pelo imigrante italiano Giovanni Lorenzi, nascido na Província Vicenza Itália. Emigrou com a esposa Domenica Carbonato e seus filhos. Ivo Lorenzi é o atual proprietário do lote rural e um dos descendentes de Pietro Lorenzi e Angela Aver.  Construção em pedra basalto irregular, assentada com argamassa de barro.

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Foram colocados tirantes de ferro que cruza o interior da capela, e podemos ver a fixação em ambos os lados.

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Fixação do tirante de ferro no outro lado da capela.

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Com certeza o outono valoriza o interior de Caxias do Sul.

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Toda capela de interior possui o seu próprio cemitério. Nesa pequena capela, os descentes do imigrante italiano Giovanni Lorenzi.

Estrada do Imigrante – 5ª légua – lote 01. Interior de Caxias do Sul/RS.

A Estrada do Imigrante fica na região conhecida como Terceira Légua e foi o caminho percorrido pelos imigrantes italianos que vieram para o RS.

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