INSTITUTO HERCULES GALLÓ

O complexo do Instituto Hercules Galló é constituído por duas antigas residências de madeira que pertenceram a Hercules Galló e um anexo novo.

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A fachada da Casa 1 do complexo, vista pela BR-116, no dia de visitação do grupo da Pós-Graduação em Conservação Arquitetônica da UCS, incluindo esta autora.

A decisão de recuperar e restaurar as casas de madeira foi tomada por José Galló, neto de Hercules Galló, em 2009, sempre com a intenção de transformá-las em legado para as próximas gerações, transformando-as em um espaço ativador de atividades culturais e fomentador do turismo na região, e que não se perdessem com o tempo.

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Placa informativa do complexo. 

A primeira alternativa para viabilizar a recuperação foi com o pedido de tombamento a nível municipal, a fim de captar recursos para financiar a intervenção.

“Além da recuperação propriamente dita e da entrega das casas como novo espaço cultural para a população, gostaríamos que outras pessoas se espelhassem na iniciativa e buscassem informações sobre legislações municipais, estaduais ou federais referentes a tombamento. É uma maneira de viabilizar que todo e qualquer patrimônio histórico seja o mais amplamente possível recuperado, saindo da condição de esquecimento e abandono” – explica o arquiteto Renato Solio, bisneto de Hercules Galló, no livro Galópolis e os Italianos – Patrimônio Histórico preservado a serviço da cultura.

As residências foram escritas no Livro tombo do Município de Caxias do Sul em 2010.

O projeto de intervenção foi  desenvolvido pelo escritório de arquitetura Uaná Design, dirigido pelos arquitetos Renato Solio e Roque Frizzo. Após o cadastro e os primeiros levantamentos, foram realizados o diagnóstico de danos, onde se interpretou o estado de conservação dos imóveis para determinar as ações de intervenção.

Foram realizados quatro tipos de intervenções de preservações, conforme os conceitos técnicos:

  1. Reprodução/réplica: é a cópia exata de parte de elementos ou elementos completos.
  2. Reabilitação/adaptação ao novo uso: é a adaptação dos espaços como novos usos, diferentes dos concebidos originalmente. Esta ação pode ou não resultar no acréscimo de anexos para melhor abrigar as novas funções. Neste caso, devem ser reconhecidos como produtos da sua época, de modo a não conduzirem a um falso histórico.
  3. Conservação: ações destinadas a preservação e prolongamento da vida útil ou integridade física de um bem. Dentre os tipos de conservação, podemos citar a manutenção, a reparação e a consolidação.
  4. Reconstrução: é restabelecer a edificação em seu estado anterior, ou parte dela, que se encontra destruída ou com risco de destruição. Esta ação deve estar baseada em documentação e evidencias históricas que não deixem dúvidas.

As casas foram nomeadas em Casa 1 e Casa 2. A Casa 1 é a menor e mais antiga, construída em 1904 aproximadamente, mesmo ano em que Hercules Galló assumiu o comando da cooperativa. A Casa 2 é a maior, foi construída 4 anos depois que a Casa 1, quando o lanifício passou a funcionar em ritmo industrial e os negócios se intensificaram.

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Vista desde a janela da Casa 2, mostrando a Casa 1 e todo o trabalho paisagístico realizado.

Após a morte de Galló em 1921, a família retornou à Europa, e as casas foram ocupadas por funcionários do lanifício ou então alugadas, passando alguns períodos sem habitantes.

O processo de intervenção teve inicio em 2010,na Casa 2. Os trabalhos na Casa 1 se iniciaram em 2011.

Casa 1

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A fachada principal da Casa 1.

Construída em meados de 1904, possui porão, térreo e sótão, com características da arquitetura colonial italiana do período tardio, com influencia internacional dos chalés. Os principais materiais utilizados na construção foram madeira, pedra e metal.  As paredes internas e externas são em tábuas de madeira inteiras com mata-junta nas emendas. Os beirais possuem lambrequins, porém não possui nenhum outro tipo de ornamentação relevante.

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Sótão da Casa 1 totalmente restaurado.

Este imóvel apresentava um estado de conservação mito precário, com quase todos os elementos construtivos comprometidos, e foram necessárias grandes intervenções.

Para a adequação das instalações, a residência teve todas as suas paredes externas duplicadas, e inserido um isolamento térmico, assim como no telhado. Uma parede foi retirada, para viabilizar o novo uso, e uma janela de visitação foi aberta com vidro no piso do térreo para permitir a visualização do porão que não tem acesso além do alçapão.

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Térreo da Casa 1 onde foi deixada uma janela de visualização no piso, para conhecimento do porão, uma vez que possui difícil acesso e pouco altura.

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Janela de visualização mostrando o porão da Casa 1.

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Acesso principal da Casa 1 desde o complexo.

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Vista desde a janela da Casa 1, onde se pode visualizar a Casa 2.

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Escada que dá acesso ao sótão da Casa 1.

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Mural informativo sobre todo o processo de intervenção da Casa 1.

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Trabalho de comunicação visual desenvolvido no complexo para a visitação.

Casa 2

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Fachada da Casa 2 desde o nível da Casa 1.

Construída em meados de 1908, também possui características de arquitetura colonial italiana do período tardio com influencia internacional os chalés. Utiliza três principais materiais em sua construção: madeira, pedra e barro. Possui quatro pavimentos, com porão, térreo, 2º pavimento e sótão. Uma característica marcando é a varanda do pavimento superior sob a qual se formou o alpendre. Recebeu uma ampliação por volta de 1917, com a construção de mais um dormitório.

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Fachada principal da Casa 2 desde o complexo.

Esta residência foi concebida com um pouco mais de ornamentação que a anterior, com um guarda-corpo ornado na varanda, frisos, imponentes roda-forros e as portas internas trabalhadas. Outra característica comum é a utilização de pisos  forros de tabuado corrido liso, com encaixe macho e fêmea.

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Acabamentos originais restaurados da Casa 2, como a cimalha do teto.

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Acesso à varanda da Casa 2.

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Escada interna da Casa 2, completamente restaurada.

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Escada original restaurada.

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Sótão da Casa 2 com vista para o Lanifício.

O estado de conservação era melhor que a Casa 1, exceto pela fachada sul. O alpendre possui um piso em ladrilhos hidráulicos que foi reparado.  Já que a fachada sul teve que ser reconstruída, foi aproveitado para passar todas as instalações nestas paredes. Foi inserido isolamento térmico no telhado. O novo programa de necessidades exigiu a instalação de um elevador e sanitários, construídos como anexos, com acesso pela fachada sul, assim como novos acessos em rampa para a acessibilidade.

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Encontro entre a pré-existência e o anexo posterior.

O novo anexo construído aos fundos da Casa 1 para abrigar um espaço multiuso foi concebido em linhas retas e material contemporâneo, para deixar claro o que é novo e o que é antigo no conjunto.

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Vista do Lanifício São Pedro, desde a varanda da Casa 2.

Fonte das informações: livro Galópolis e os Italianos – Patrimônio Histórico preservado a serviço a cultura, escrito por Ricardo Bueno. Quatro Projetos, Porto Alegre, RS, Brasil. Novembro de 2012.

Fotos: todas as fotos foram registradas pela autora, em visita realizada no complexo em fevereiro de 2018, junto com o grupo de alunos do curso de Especialização em Conservação Arquitetônica: diagnóstico e intervenção, da UCS.

 

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