VILA OPERÁRIA DE GALÓPOLIS

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A vila operária está localizada no bairro de Galópolis, Caxias do Sul, RS, e revela um patrimônio industrial remanescente da cultura implantada pelos imigrantes italianos que se estabeleceram no local no final do século XIX. Como apresenta a Carta de Nizhny Tagil, elaborada em 2003 pelo Comitê Internacional para Conservação do Patrimônio Industrial, não somente os edifícios possuem valor para ser considerados como patrimônio industrial, e sim todas as relações que ali existiram:

“O patrimônio industrial compreende os vestígios da cultura industrial que possuem valor histórico, tecnológico, social, arquitetônico ou científico. Estes vestígios englobam edifícios e maquinaria, oficinas, fábricas, minas e locais de tratamento e de refino, entrepostos e armazéns, centros de produção, transmissão e utilização de energia, meios de transporte e todas as suas estruturas e infra-estruturas, assim como os locais onde se desenvolveram atividades sociais relacionadas com a industria, tais como habitações, locais de culto ou de educação (Carta de Nizhny Tagil, 2003, item 1).

Esta vila operária está diretamente relacionada com o Lanifício São Pedro, primeira cooperativa têxtil da região nordeste do Rio Grande do Sul, local onde trabalharam muito imigrantes do norte da Itália, região produtora de lã. A localidade de Galópolis (denominada assim a partir de 1914, substituindo o nome Vale del Profondo) foi crescendo, assim como a vila operária, à medida que a fábrica têxtil se expandia. Nesse sentido, o patrimônio industrial faz parte da vida cotidiana desta comunidade.

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A vila operária começou a ser construída em 1912 após a formação da sociedade de Hercules Galló com a família Chaves. Iniciaram a implantação de um plano habitacional que garantisse a permanência da mão de obra especializada próximo à fabrica, especialmente os funcionários estrangeiros que foram contratados. As casas eram de propriedade da fábrica e dimensionadas de acordo com o numero de funcionários necessários. Os morados que recebiam o imóvel pagavam um aluguel simbólico, que variava de acordo com a tipologia da casa e com o cargo ocupado no lanifício.

As primeiras casas foram construídas em madeira, entre 1914 e 1916, com tipologia geminada e idênticas.

foto antiga

Fonte: Acervo do Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami

Após a morte de Hercules Galló, em 1928 a família Galló vendeu toda a sua parte para o grupo Chaves Barcellos, surgindo então a Sociedade Anônima Companhia Lanifício São Pedro. Nesse momento, a fábrica possuía 43 casas utilizadas para moradia dos operários. Já em 1955, segundo registros, o conjunto de moradias chegava a 80 residências. Para os operários foram construídas mais casas de alvenaria. Em 1939 foi iniciada a construção da Igreja Matriz na praça central, em frente às residências operarias. Além das moradias, a vila atendia todas as necessidades dos operários reforçando o sentido de comunidade, com escola, igreja, praça, um sindicato e mais tarde um cinema. Ou seja, os operários tinham suas necessidades supridas no local onde trabalhavam, o mesmo onde moravam, aumentando assim o vinculo empresa-operário.

No conjunto residencial, podemos distinguir duas tipologias: casas geminadas com divisão em duas ou três residências. Todas apresentam o mesmo sistema construtivo com alvenaria de tijolos portantes aparentes, contraventados com pilares externos e tirantes, lajes de entrepiso apoiadas nas diferentes espessuras de parede (como um efeito pirâmide, as paredes dos primeiro pavimento mais espessa que a do segundo), divisórias internas de madeira e telhado em duas águas. Porém pequenos detalhes diferenciam uma tipologia da outra, especialmente quanto ao nível de acabamento.

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As casas duplas contam com seis exemplares remanescentes, e estão geminadas pela cumeeira, ou seja, na parte mais alta do telhado. Esta tipologia apresenta um projeto racional, geometria simplificada e funcionalidade espacial. Contemplam espaços de convivência, como sala e cozinha, com concentração da área molhada aos fundos, e o setor íntimo, com três dormitórios, disposto entre os dois pavimentos. Todos os ambientes possuem boas condições de ventilação e iluminação.

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Nessas residências, de aproximadamente 80m² de área útil, o projeto original estipulado pela fábrica para construção das moradias previa a acomodação de uma família com filhos, onde o setor intimo era dividido com o dormitório do casal no térreo, e os quartos do pavimento superior, ou sótão, para os filhos. As portas de entrada de cada residência ficam na lateral, com acesso através do afastamento lateral entre as unidades. Originalmente, as aberturas estavam arrematadas por vergas em forma de arco abatido.

Já as residências com 3 blocos geminados, a divisão das residências se faz pelo ponto mais baixo do telhado. Contemplam 3 residências cada, apresentam racionalidade e funcionalidade como característica. Seu projeto é distribuído de tal forma que permite que todos os compartimentos possuam janelas para ventilação e iluminação natural, mesmo na unidade do meio. As áreas molhadas – banho e cozinha- também ficam concentradas nos fundos da edificação, e cada casa possui três quartos.

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Essa tipologia, quanto ao nível de acabamento, é mais simples que a tipologia de casas duplas. As portas principais se localizam na fachada frontal, sobre as esquadrias apresentam-se vergas retas, e as paredes laterais são planas, sem saliências verticais como elementos estruturais.

A distribuição do espaço intimo acontece da mesma forma como na tipologia de casas duplas, com o dormitório do casal no térreo, e o outros dois dormitórios no sótão, sob a inclinação do telhado.

A partir de 1974, houve a possibilidade de compra e venda de algumas casas. Com isso, algumas residências sofreram intervenções ao longo do tempo para se adaptarem à demanda dos novos moradores. Isso é recorrente, apesar de a comunidade de Galópolis possuir a consciência de que a preservação do patrimônio industrial é importante para a conservação de sua história.

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Fonte de pesquisa:

Artigo: Patrimônio Industrial e Turismo: A Vila Operária de Galópolis, Caxias do Sul, RS, de Vania Beatriz Merlotti Herédia e Bruna Tronca.

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2 comentários sobre “VILA OPERÁRIA DE GALÓPOLIS

  1. ADRIANA TEDESCO PINTO disse:

    Encantada com o teu site Clarissa!!!!! Amo a história de Caxias, sou arquiteta, neta do Silvestre Tedesco dono da antiga construtora Tedesco. Tenho uma página no facebook do meu escritório TEDESCO ARQUITETURA, tu me permite postar algumas publicações do teu site na minha página?

    Curtir

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