ANTIGA RESIDÊNCIA ZANDOMENEGHI

História

Casarão construído em 1938, pertencia a um dos fundadores da antiga Cooperativa Vinícola São Victor, empresa que marcou o bairro São Pelegrino a partir de 1929, e o qual foi diretor comercial durante 36 anos. Agostinho Zandomeneghi (1894-1965) adquiriu o terreno de 900m² no final da Rua Os 18 do Forte, em 1937, com a intenção de ficar mais próximo da sua empresa, uma vez que morava com a família em São Victor da 5ª Légua.

A residência orgulhava os seus proprietários pela qualidade do material utilizado na época e pela modernidade que apresentava, ocupando visão privilegiada no final da rua Os 18 do Forte, com entroncamento com a Rua Feijó Junior.

A área externa, nos fundos, concentrava um parreiral e diversas árvores frutíferas, além de temperos e flores. Paras as crianças, o espaço também era um saudável cenário para brincadeiras.

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A fachada frontal da residência em 1938. Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami

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Os antigos proprietários em frente à residência original, em 1951. Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

Na divisão interna, o casarão era composto de três quartos, banheiro, copa, cozinha, sala de jantar e sala de visitas decoradas com pinturas com motivos de folhas. Os dois cômodos principais eram originalmente separados por uma parede em forma de arco. Toda as paredes, tanto interna como externas, eram de alvenaria.

O porão de pedra era depósito para salames, queijos e enormes recipientes de vinho de 200 litros, que todos ajudavam a engarrafar para o próprio consumo.

Concebida originalmente como moradia térrea, a casa recebeu em 1960 um segundo pavimento, obra do construtor italiano João Viel. O 2º pavimento foi destinado à geração de renda por meio de locação, idealizado por Zandomeneghi por ver a necessidade que as pessoas tinham em permanecer na cidade. Era dividido em dois apartamentos, com acesso independente à residência, que se dava por uma escada lateral, localizada na fachada sul. No apartamento ao norte, foi projetado um terraço privativo sobre o volume existente da residência original. A ampliação desse 2º pavimento foi desenvolvida sobre estrutura de concreto independente com vigas apoiadas sobre a alvenaria portante existente do 1º pavimento.

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Corte e fachada do projeto de ampliação de 1960.

 

Com o tempo, a propriedade foi dividida entre os herdeiros e outras edificações ocuparam o grande pátio dos fundos. Duas filhas do Sr. Agostinho Zandomeneghi ocuparam a residência até a compra por terceiros.

Posteriormente, abrigou espaços comerciais, como uma locadora de vídeo, uma loja de presentes e utilidades domésticas, e uma mostra temporária de decoração. Tombado pelo Patrimônio Histórico, o imóvel passou recentemente por uma grande intervenção para abrigar o Cento Empresarial Firenze.

Já os prédios da antiga Cooperativa Vinícola São Victor, na Rua Augusto Pestana, foram readequados para abrigar duas casas noturnas no Largo da Estação.

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A casa no final dos anos 1980, quando abrigou uma “locadora de filmes”. Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

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Casarão abrigou a loja Raffinatta até 2012. Fonte: banco de dados/Pioneiro.

Projeto de restauro e intervenção

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Foto atual, com o restauro da residência e o novo edifício.

Segundo laudo expedido pela Divisão de Patrimônio Histórico de Caxias do Sul, no momento da Análise do Projeto de Restauro e Intervenção,  ” A preservação de cunho permanente desta edificação de 1938, possibilitará a requalificação do bem, marco de referência na paisagem urbana, integrada ao casario ainda remanescente da rua Os 18 do Forte, entre as ruas Coronel Flores e Feijó Jr, configurando um elo entre a Igreja de São Pelegrino e o Setor Especial Sítio Ferroviário, áreas de interesse histórico e paisagístico.”

O projeto de intervenção e restauro da casa existente manteve as características tipológicas e morfológicas da edificação. Foram realizadas alterações em seu interior, para se adequar ao novo uso comercial, como a retirada das divisórias originais que organizavam a residência.

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Foram preservados e recuperados todo o piso em ladrilho hidráulico e o tabuão de Pinheiro da época. Foi retirado o forro de gesso existente, e mantida aparente a laje de concreto executada no momento da ampliação do 2º pavimento, marcada com as tábuas da época.

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Piso da varanda em ladrilho hidráulico original, no acesso principal da antiga residência.

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Piso em ladrilho hidráulico e madeira de pinheiro, materiais originais da residência.

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Laje da ampliação do 2º pavimento ficou aparente, com as tábuas dos anos 60 marcadas no concreto.

Na parte externa, foram preservadas todas as características arquitetônicas originais. Na varanda da fachada frontal, foram mantidos os elementos arquitetônicos significativos, como os pilares duplos com base em pedra, fuste em argamassa salpicada e coroamento com capitel de friso duplo. Na fachada lateral, a escada de acesso secundário à residência, feita de marmorite, foi mantida sob uma “ponte” em vidro que atualmente permite o acesso ao local pelo mesmo nível. Na mesma lateral, foi preservada a “bay window” e seus detalhes em baixo-relevo na fachada, buscando a tonalidade próxima à original da edificação, e o terraço privativo que se encontra sobre esse volume.

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A escada original do acesso secundário permanece sob o vidro.

A planta baixa do 2º pavimento foi parcialmente mantida com divisões de alvenaria originais, adaptadas ao novo uso comercial. A escada de acesso que se encontrava na lateral sul da edificação foi demolida.

Foi necessária a substituição das telhas existentes, que comprometiam a estanqueidade do telhado, mantendo o tipo de telha francesa e o desenho original em várias águas do telhado. O barrotes que estruturam o telhado foram mantidos originais e o forro do 2º pavimento retirado, deixando toda essa estrutura aparente.

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Telhas foram substituídas, mantendo o padrão do projeto original.

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Retirado o forro do 2º pavimento, com a estrutura do telhado original.

Alguns elementos de valor histórico também foram mantidos no local, como a capelinha da familia Zandomeneghi. A antiga residência possuía muro frontal baixo em pedra basalto regular e gradil de ferro. Este muro foi retirado em algum momento da transição de uso residencial para comercial e não foi recolocado nessa nova intervenção, substituído por uma calçada de pedra basalto e um jardim.

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Capelinha da família Zandomeneghi mantida no local.

O novo anexo dessa intervenção foi construído nos fundos da residência, terreno onde funcionava um estacionamento, e deu lugar a um edifício comercial, que utilizou materiais contemporâneos como o vidro e o ferro, elementos acrescentados à arquitetura do conjunto justamente para não competir com os  elementos arquitetônicos originais da residência de 1938, deixando bem demarcado o novo e o antigo.

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Acesso lateral ao anexo. No miolo desse complexo, todos os acessos se comunicam.

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Projeto contemporâneo de iluminação e paisagismo dão destaque ao acesso lateral.

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Vista de uma das salas comerciais, podemos ver como a estrutura do novo anexo avança sobre a edificação existente, formando a conexão de volumes.

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Nova cobertura de vidro marca o novo acesso lateral do anexo, sem agredir o telhado em 4 águas característico da edificação existente.

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A união do prédio novo com o existente acontece por meio de um elemento com iluminação zenital.

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Materiais originais da edificação existente permanecem à vista.

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Comunicação visual aparece na fachada e no interior do complexo.

O nome do Centro Empresarial Firenze foi uma homenagem ao italiano João Viel, construtor responsável pelo projeto de ampliação do 2º pavimento da residência, nascido em Florença, Itália. Essa residência é um dos poucos exemplares remanescentes da trajetória do arquiteto.

A obra de intervenção teve início em 2014 e foi concluída em janeiro de 2017.

Foto Firenze limpa noitesinha

Fachada atual com iluminação que valoriza o conjunto.

Inscrita no Livro Tombo dos Bens Históricos e Culturais de Caxias do Sul, em 28 de novembro de 2013. Localizada na Rua Feijó Junior, 953, Bairro São Pelegrino, Caxias do Sul, RS.

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Um agradecimento especial a Gildonei Cechet, idealizador desse projeto, que dedicou um pouco do seu tempo para nos contar essa história.

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Projeto Estrutural: Eng. Basilio Marchetto

Projeto Luminotécnico: Studio FOS Iluminação

Projeto Paisagístico: Akemi Inamoto

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