ANTIGO BANCO FRANCÊS E ITALIANO

Edificação de 1924, projetada pelo arquiteto italiano Luigi Gastaldi Valiera. Arquitetura com estilo eclético, com influências do estilo renascentista, característico da arquitetura comercial do Rio Grande do Sul na época e demais estilos como o romano e clássico.

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O lote da edificação possui uma medida de 11 metros por 88 metros, ou seja, tendo acesso tanto pela Av. Julio de Castilhos como pela Rua Pinheiro Machado, porém o acesso à edificação é somente pela Av. Julio de Castilhos.

O prédio foi edificado em um período de transformação da cidade, onde os prédios de alvenaria iam ocupando o lugar das casas de madeira, especialmente no centro onde os moradores possuíam melhor situação econômica. A localização do edifício e sua construção em alvenaria mostra a importância da edificação para a sociedade, uma vez que apenas na atualização de 1927 do Código de Posturas de 1920, foi determinado que todas as edificações do centro deveriam ter no mínimo dois pavimentos e construídas em alvenaria.

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Colunas da arquitetura clássica, grandes janelas, arcos romanos e fachada tripartida provenientes de uma arquitetura renascentista.

Um breve histórico

– Em 1910, se inicia a Fundação do Banco Francês e Italiano para a América do Sul, em Paris.

– De 1923 a 1924, é construído o prédio projetado pelo arquiteto Luigi Gastaldi Valiera.

– Em 1924, o térreo abrigou a sede para a Antiga Agência do Banco Francês e italiano para a América do Sul, e abrigava residências nos pavimentos superiores até 1939. Nesta data, o governo federal expede um decreto que corta qualquer ligação comercial com a Itália e a Alemanha e toma a edificação.

– Em data não identificada, a edificação foi leiloada e adquirida por Julio Eberle, e passa a fazer parte do conjunto de edifícios da cidade pertencentes à Metalúrgica Eberle.

– Julio Eberle muda-se para o segundo pavimento da edificação para ficar mais proximo à Metalúrgica Eberle.

– A edificação é vendida para Arminto Pereira dos Santos, atual presidente de Vacaria, e colocada para locação.

– O pavimento superior e inferior são alugados para a Imobiliária Campo dos Bugres.

– Logo após, o prédio foi alugado para o Banco da Lavoura e em seguida alugado para o Banco do Comércio.

– Em 1976, o prédio passou por uma reforma onde teve os seus gradis retirados e substituídos por panos contínuos de vidro. Essa foi a maior descaracterização do edifício em relação ao projeto original. Na imagem abaixo, é possível ver os gradis originais desenhados e confeccionados por Bazzo, da Metalúrgica Boca da Serra Caxias do Sul, no início do século XX.

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Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami – 1965.

– Entre 1980 e 1993, o pavimento superior foi alugado para o bar e restaurante Don Rafael. Por possuir pequenos cômodos no segundo pavimento, em função do seu uso original de residência, houve a retirada das paredes de madeira. Até hoje é possível observar a localização original dessas paredes através das marcas deixadas no piso.

– Em 1982 o prédio foi alugado pelo Banco Mercantil do Brasil S.A., que permaneceu no imóvel até 2002.

– Em 1993, a edificação é adquirida pelo banco Santander S.A. – Arrendamento Mercantil

– Em 1996, foi construído o mezanino entre o térreo e o pavimento superior para servir de apoio ao Banco Mercantil do Brasil S.A.

– A partir dos anos 2000, a Guerra Empreendimentos Imobiliários adquire a edificação e coloca um estacionamento rotativo na parcela do lote com acesso pela Rua Pinheiro Machado. Posterior a isso, foi construída a Igreja Show da Fé e o depósito da igreja que se mantém até hoje, colados à fachada sul da edificação.

– a partir de 2010, o pavimento superior e sótão são alugados para a PET cursos.

– em 2003, a IBI administradora aluga o pavimento térreo, subsolo e mezanino, que permanecem até o início de 2017.

– Atualmente, encontra-se para locação.

A edificação originalmente possuía quatro pavimentos: o porão, onde estão localizados os cofres do Banco Francês e Italiano, o pavimento térreo, onde era exercida a função de banco, e o segundo pavimento e sótão, que serviam de moradia para os gerentes do banco. Passou por diversos usos e locações ao longo do tempo, e com isso sofreu uma série de intervenções, principalmente em seu interior. Mas muitas características originais permanecem na fachada principal, e será preservada em função do tombamento do prédio.

As principais características arquitetônicas dessa edificação do estilo eclético são a simetria, separação de andares na fachada através de cornija e vãos semicírculos. Apresenta diversos ornamentos sobre as portas, janelas e sacada. Na fachada é perceptível a tripartida renascentista, sendo ela a divisão entre base, corpo e coroamento por seus diferentes materiais.

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A base foi construída em pedra basalto regular, material abundante na região, e propicia ventilação ao subsolo semi enterrado.

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O coroamento, sustentado por uma faixa horizontal de mísulas, é feito através de um telhado de 3 águas.

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A fachada não sofreu alterações significativas, apenas pelo acréscimo da água furtada no telhado para a ventilação do sótão, a retirada dos gradis originais do térreo e a retirada dos canos de queda pluviais que deram luar a uma nova ornamentação.

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Edificação em 1947, com os canos de esgoto pluvial aparentes na fachada. Fonte: Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami.

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Foto atual, com ornamento colocado no lugar dos canos.

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Levantamento da fachada realizado por GABRIELA LUÍSA PIOLA, para o artigo “Banco Francês e Italiano: Elaboração de Documentos Gráficos e Pesquisa de Referência como Suporte para a Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural de Caxias do Sul”, de 2016.

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Bandeira fixa em ferro com motivos florais.

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Coluna romana.

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Capitel de ordem coríntia.

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Vista interna do 2º andar. Foto retirada do artigo “Banco Francês e Italiano: Elaboraão de Documentos Gráficos e Pesquisa de Referência como Suporte para a Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural de Caxias do Sul.”

Citação encontrada no processo de tombamento: “A edificação apresenta diversos ornamentos sobre as portas, anelas e escada. Ainda restam as bandeiras em ferro batido nas portas da fachada principal, que segundo diversas testemunhas, eram as mais belas e trabalhadas de toda a cidade… (Processo de tombamento, DIPPAHC)

Inscrito no Livro Tombo do Município de Caxias do Sul – folha nº022 -, em 18 de dezembro de 2003.

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Localização: Av. Júlio de Castilhos, 1781, no centro Histórico da cidade de Caxias do Sul.

Agradecimento especial à GABRIELA LUÍSA PIOLA, autora do excelente artigo “Banco Francês e Italiano: Elaboração de Documentos Gráficos e Pesquisa de Referência como Suporte para a Divisão de Patrimônio Histórico e Cultural de Caxias do Sul”, de 2016, que contribuiu muito com essa publicação.

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